O que vem a seguir serão apenas lugares comuns.
Não poemas, porque eu não sou poeta, nem tenho
pretensões a tornar-me cavaleiro de causas perdidas, mesmo
que escritas com a alma, com a simplicidade de quem anda nisto
apenas pela diversão, nada mais.
As minhas ausências reflectem-se em escrever cada vez
menos seja para quem for, tudo se resume a meia dúzia de
pessoas, dentro das milhares que já tive oportunidade de
conhecer.
Veio-me agora à lembrança um documentário
que deu na televisão acerca de leopardos fêmea em
África, do seu instinto natural para caçar (ou
não fossem felinos), do instinto maternal que suplanta o
mesmo instinto de caça. Nós humanos não temos
essa capacidade de passar do mal ao bem, porque temos o que os
leopardos não têm: a inteligência, a esperteza
saloia com que vamos destruíndo cada passo dado em frente
regredindo a cada dia a um estado de funesta incapacidade de
sobreviver. Fosse este um mundo de gente apenas preocupada em viver
no seu canto, com as suas mundanas sensibilidades e talvez o mundo
não estivesse à beira do colapso.
Tenho uma paixão enorme por animais, especialmente por
felinos, que não são pêra doce de conviver.
Não falo dos gatos, seres tão dóceis, como
incompreendidos pela bestialidade humana. Lembro-me antes dos
leões, dos leopardos, dos tigres, dos pumas, dos jaguares,
desses bichos maravilhosos que teimam em resistir (até
quando não se sabe) à investida do verdadeiro rei da
Selva, o ser humano. E um dia quando eles não existirem? O
mundo vai ser decerto, um lugar muito mais triste e infeliz.
África, berço da humanidade, semente de
violência pela ignorância dos humanos que para
lá enviam os dejectos da humanidade, dos humanos
incompreendidos que se tornam bestiais máquinas assassinas
sem saber o porquê, de seres que morrem à fome, que se
auto-destroem com aquele ar de incredulidade que nos incomoda tanto
à hora da nossa refeição (e pegamos no comando
ou tapamos os olhos das crianças... que horror mostrarem
essas coisas... diria que sim, mas por outro motivo...) e olhamos
indiferentes continuando a ignorar o que se passa lá
fora.
Mas se o mundo ficar sem os leopardos, sem aquela imagem
deliciosa da fêmea que adoptou o bebé babuíno
mesmo após ter morto a sua mãe como que tomada pela
confusão. tomada por um institnto maternal que não
vejo em algumas mães, protegê-lo em vez de o matar,
essas imagens ficam-me gravadas. Quantos humanos se redimem do mal
que fazem?
... o vídeo com o leopardo Legadema... em anexo...
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